Sunday, September 10, 2006

God´s Plan

Há quem diga – no desconforto ou na insatisfação – que todos fazemos parte de um plano de Deus. Algo acontece ao contrário do que desejamos e justificamos para consolação de que tudo faz parte do tal plano de Deus. Um plano que desconhecemos e cujos detalhes e objectivos, apenas o tal Senhor conhece.

De alguma forma (para a minha maneira de ser) é intrinsecamente conflituoso aceitar a teoria do tal God´s plan.

Sempre acreditei e vivi com a convicção de que somos responsáveis pelo bom e pelo mau que nos acontece. Pelos sonhos não realizados, pelos projectos concretizados ou pelos amores não vividos. Podia até nem ser verdade, mas acreditava que tudo dependia de mim e da minha força de ver as coisas acontecerem. Ou não.
Sempre pensei que tinha a capacidade para criar o meu futuro, verdade ou não, numa inocente ignorância, estas minhas mãos, aquelas minhas acções levavam-me onde eu queria.

Not anymore.
Não quero dizer que vou deixar de lutar pelas coisas que quero, deixar de sonhar os sonhos tangíveis e empenhar-me nos meus projectos. Não obstante, há coisas que realmente não podemos forçar. Não podemos pegar nelas e coloca-las nas posições que achamos correctas para satisfazer a nossa vida, existência e realização pessoal. Há coisas com as quais não podemos interferir e uma das mais importantes é com o livre arbríto de cada pessoa, com as decisões das pessoas com as quais nos envolvemos e relacionamos.

O que fazer então?
Esta é uma boa altura, para entrar em cena a tal teoria do plano de Deus.
Porque, vamos nos resignar à nossa insignificância e admitamos de que realmente não controlamos o nosso destino. Não quer dizer que esteja já tudo delineado e projectado par ser concretizado sem falhas ou atalhos ou sideways. Claro está que as coisas nem sempre - diria mesmo raramente - nos seguem de feição e ... mais uma vez… o que fazer?

O que fazer a um amor que não conseguimos abandonar? Trabalhamos, bloqueamos, libertamos as emoções, os desejos e os impulsos mas tudo se desmorona em nosso redor quando enfrentamos, frente a frente, cara a cara, olhos nos olhos o sujeito do nosso amor mais puro e verdadeiro, mais intenso e gratificante.
O universo fica minúsculo e não temos como controlar o coração que dispara para 125 pulsações por minuto e nos faz sentir o sangue a arder nas veias, a pulsar no cérebro e flashes de memórias atordoam-nos o equilíbrio, choques de desejos futuros fazem-nos esconder o olhar, o ar falta silenciando as palavras… que ficam dentro da boca, rentes aos lábios sequiosos de mais mel.

....Sometimes I play our song over and over on my head, recall her words, I see again and again her devoted look and I cannot feel but hopeless before this love that caught me like no other. There was nothing left do fulfil. No fantasy, no music, no stone left unturned. No feelings were left behind, it was just like I have always imagined, dreamt, wished… And a bit more.

I am not a fool.
Things like these do not happen twice in one’s life.
I’m not that sort of optimist.

Either, am I, the sort of lover to be content with second best. If I’m not with the choice of the heart and soul, I cannot be with anyone else. I tried. I failed and hurt myself in between ....

Por vezes há que apenas esperar antes de fazermos a nossa movida. Não quer dizer que não tenhamos acção ou poder de intervir na nossa vida. Mas temos sem dúvida alguma, que ver qual a peça do xadrez que Deus joga lá no seu plano e depois fazermos apenas aquilo que achamos mais correcto e verdadeiro. Assim não se pode errar.
Levar o dia a dia como nos aparece, sem grandes entusiasmos ou eufórismos é praticamente impossível. Pelo menos para mim. Não sou desse tipo de pessoas que consegue racionalizar, pensar e ímpetos insensíveis. Conseguiria ser diferente? Provavelmente, se o quisesse verdadeiramente. Mas será que o quero?

Viver a vida naquele estado de Euthymia onde não existem montanhas russas emocionais. Onde está o prazer nisso? Onde está a vida, onde é que excedemos os nossos limites se não nos extremos?

Eu já fiz a minha jogada. Um peão deslocou-se para o lado. Não tenho forças para avançar, mas estou alerta, atenta ao tal plano de Deus. Quero ver onde é que me leva o dia de hoje … e longe de mim interferir com o que aconteça.

7 Comments:

Anonymous Anonymous said...

O melhor, nesse caso, é sempre esperar que o outro jogue. Até para você poder pensar qual jogada você deve fazer depois.

Afinal, não jogamos xadrez com a vida o tempo todo?

3:52 PM  
Anonymous Anonymous said...

Todos nós temos as nossas jogadas nesta vida,sejam elas favoráveis ou desfavoráveis,mesmo assim somos obrigados avançar, só desta forma enfrentaremos o nosso dia a dia da nossa vida e no meio de tudo isto podermos racionalizar da melhor forma sem nos a tordoarmos nos choques e desejos futuros,..

bjinhos.

9:21 PM  
Blogger Dardanus said...

antes d mais deixa-me dizer q é a primeira vez que visito este blog e não pretendo q seja a última.
assim q entro deparo-me com este texto que verdade seja dita dizou-me a pensar em algumas coisas. uma delas foi recordar-me das regras do xadrez - sim os peões não andam para os lados isso á batota :P
falando agora a sério. a visão deste texto fez-me recordar algumas opiniões relativamente à vida que várias pessoas tiveram na História. numa delas as pessoas são responsáveis pelas suas acções e que por isso não existe destino, coisa q a igreja tanto condena (para a seguir falar no plano de Deus, incongruente, não?). uma frase que também me veio à cabeça é de Dostoievsky (isto de nomes russos...): "todos somos responsáveis pelos actos dos outros. mas eu pergunto-me se será assim... a minha posição é que estamos no meio de uma rede de liberdades e que de vez em quando entramos numa dessas vias de liberdade que condicionam os nossos actos, uma visão de que o mundo está completamente cheio de humanos e nós temos de encontrar o nosso espaço, o que condiciona as nossas acções

12:09 PM  
Blogger ondaazul said...

Descobri este blog agora... Acho que estou a gostar imenso... Sobretudo, é o primeiro blog que me fala de Deus... Obrigada.

1:26 PM  
Blogger ondaazul said...

PS Já agora, e apesar de abandonado, como as casas devolutas, que choram sozinhas para dntro de si mesmas enquanto o vemto as circunda lá fora, seja bem vinda ao meu palácio abandonado, O Outro Fim da História.

1:27 PM  
Blogger Unknown said...

Acabei de aqui chegar, e cá voltarei inumeras vezes. Gosto de ver o que sinto nas palavras dos outros, este post é um deles! Gracias...

2:16 PM  
Blogger Rui said...

olá.
poderias dizer-me como fizeste o registo do teu blog na blogaysfera?
1abrc**
Rui

8:40 PM  

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